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25/06/2008
Livro sobre Joaquim Fontes resgata a história do desbravamento da região


“Seu Joaquim, um brasileiro de coragem” será lançado sexta-feira durante evento em homenagem ao pioneiro

  Uma história que volta no tempo e encontra Maringá em seus primeiros anos. Quando Joaquim Fontes chegou com a família em 1949, vindo de Lucélia (SP), onde atuava na compra e venda de cereais, Maringá crescia depressa, mas ainda era apenas um distrito de Mandaguari. Contra a vontade do pai, ele havia adquirido uma pequena propriedade de 50 mil pés de café. Para isso, endividou-se até o pescoço, enfrentou a ira do genitor e, de quebra, foi chamado de louco pelo gerente do Banco do Brasil na cidade de origem, onde conseguiu um empréstimo.

  Apenas dois anos depois, beneficiado por safras generosas e uma alta expressiva dos preços, Joaquim não só quitou toda a dívida como comprou terras para trazer os pais e dez irmãos que viviam com poucos recursos em Taquaritinga, sua cidade natal. O segredo do sucesso? Acreditar sempre, segundo ele, que sabia, como poucos, escolher uma área menos vulnerável às geadas.

  Fatos emblemáticos como este, que mostram a aventura dos pioneiros do Norte do Paraná, região onde a possibilidade de enriquecimento convivia com os riscos trazidos pelo frio, fazem parte do livro “Seu Joaquim, um brasileiro de coragem”, do jornalista Rogério Recco. A obra, com 107 páginas e tiragem de 2 mil exemplares, será lançada nesta sexta-feira durante evento em que o biografado, de 92 anos completados na última segunda-feira, será homenageado com dois títulos de cidadania honorária, de Maringá e do Paraná.

  O livro foi elaborado a partir de relatos do próprio Joaquim que, desde 2004, é presidente da Sociedade Rural de Maringá. Em 2007, para acompanhá-lo mais de perto, o autor foi seu assessor de imprensa durante seis meses, participando dos preparativos da Expoingá, uma das mais importantes feiras agropecuárias do Paraná.

  O que viu foi substancial para o conteúdo da obra e parte desse convívio diário se transformou em histórias e passagens que denotam a personalidade de Joaquim, caracterizada pela serenidade. “Nossa preocupação foi trabalhar com a maior isenção possível, evitando personalismos e adulações”, comentou o jornalista.

  Para Recco, Joaquim Fontes pode ser definido como “um realizador”. Alguém que se acostumou a enfrentar grandes desafios e vencê-los. Entre esses, a abertura de inúmeras fazendas (chegou a ter 11 ao mesmo tempo e empregar 2 mil famílias na região) e a finalização de obras que nada tinham a ver com seu “métier”, como a Catedral Metropolitana, em 1971/72, quando esteve à frente de uma comissão na qual foi o primeiro-tesoureiro.

  Na opinião do jornalista, Joaquim é antes de tudo um grande empreendedor, capaz de encontrar soluções que, para muitos, seriam impraticáveis.